Candeeiros inteligentes que permitem economizar energia

Candeeiros inteligentes que permitem economizar energia

Universidade de Aveiro produz  sistema de iluminação com vários sensores que é mais eficiente e 'sabe' quando poupar. 

Imagine-se a passear numa rua em que a iluminação aumenta de intensidade à medida que caminha. Parece uma ideia tirada de um filme de ficção científica, mas não é. Esta é uma das potencialidades do LITES - projecto europeu de investigação que pretende testar uma forma de alcançar uma melhor eficiência energética por toda a Europa, e que, em Portugal, conta com a participação da Universidade de Aveiro.

O objectivo é produzir uma tecnologia inteligente de iluminação pública à base de LED (díodo emissor de luz), que seja compatível com as normas da União Europeia e que reduza significativamente o consumo de energia. "Vamos gastar menos energia, fornecendo uma melhor iluminação aos utilizadores", resumiu ao DN, Rui Luís Aguiar, coordenador do projecto em Portugal.

A investigação tem duas componentes principais: a eficiência, que passa pela substituição da iluminação tradicional pelas lâmpadas à base de LED; e a inteligência do sistema, que se deve à instalação de sensores que medem a intensidade da luz, da temperatura, da corrente eléctrica e que detectam o movimento. "Estes candeeiros vão ser dotados de sensores de humidade e do tempo, estando instalados junto à iluminação da via pública", refere Rui Luís Aguiar. Assim, como todo o sistema permite poupar energia, "os ganhos obtidos são muito apreciáveis", afirma o professor.

O sistema de iluminação actual nas cidades é fixo, mas no futuro poderá ser variável, gastando-se mais energia em noites escuras e menos em noites com maior luminosidade. "Hoje, gastamos a mesma energia num dia em que esteja a chover muito, e por isso escuro, ou num dia que esteja claro. No futuro, a energia gasta vai ser diferente, vamos optimizá-la", explica Rui Luís Aguiar.

Os "candeeiros inteligentes" ainda não estão nas ruas, mas está previsto que até ao começo do Inverno sejam colocadas as novas lâmpadas em vários postes de iluminação na ponte, sobre a ria de Aveiro, que fica junto ao campus da Universidade. O responsável do projecto diz que "a inteligência chegará depois" com a colocação dos sensores. Nesta altura, será possível "ir iluminando a ponte à medida que a pessoa passa, de acordo com o seu movimento". Segundo o coordenador do estudo, a ideia é, depois do primeiro teste real aos candeeiros, alargar o LITES a todo o campus universitário, fazendo com que a Universidade gaste menos electricidade.

Mas quanto podem as cidades poupar se decidirem implementar a iluminação amiga do ambiente? "Os ganhos são na ordem dos 70%", avança Rui Luís Aguiar. O professor admite até "o interesse da parte de várias câmaras municipais em substituir o sistema actual pelo novo" porque "mesmo que ainda não tenham os sensores, a simples substituição das lâmpadas é apetecível, pelo que permite poupar".

Portugal não é o único país a participar no LITES. O projecto está a ser desenvolvido no município de Bordéus (França), em Piaseczno (Polónia) e na Universidade Técnica de Riga (Letónia). A solução de eficiência energética vai ser testada em quatro países, em condições reais, e validada durante um ano. Em cada um dos locais irão ser instalados 50 pontos de iluminação, num total de 200. O projecto, que começou em Dezembro do ano passado e tem a duração de 30 meses, está orçado em 2,6 milhões de euros, sendo comparticipado em 50 por cento pela Comissão Europeia. A Universidade de Aveiro conta com uma comparticipação de cerca de 300 mil euros, segundo avançou ao DN Rui Luís Aguiar.

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1540120

 

 

 

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